Perdem-se no tempo as origens das famílias fianenses. No livro, por excelência dedicado a Fiães(1), do Pe. Manuel Francisco de Sá, em 1940 encontramos algumas referências a antigas famílias fianenses, mas em nenhum momento este colige as alcunhas destas e doutras famílias.
No mesmo livro podemos, a partir da página 51, ter uma ideia mais concreta da evolução demográfica da nossa freguesia. Com a evolução demográfica surgiu a necessidade de agrupar as famílias através de factores de reconhecimento “sócio-geográficos”.
Assim sendo, as famílias mais antigas foram reconhecidas, ora pelo nome: como os “Avelares”, os “Coelhos”, “Vilarinhos”, etc.; ora pela sua localização geográfica: do “Êrmo”, da “Cerejeira”, da “Bica”, etc.; Destas derivaram outros nomes que, por força das expressões, passaram a ser reconhecidos pelos seus ofícios, fisionomias, carácter e jocosidade.
“De quem és?”
Assim, quando estranhos a alguém da freguesia, somos interpelados pelo típico rifão acima. Respondemos, com hombridade e até bairrismo, a alcunha ou alcunhas que de imediato nos localizam tanto, historicamente (pelo passado familiar), geograficamente (pelo agrupamento de familiares) e socialmente (na base dos anteriores).
Este hábito tende a cair em desuso pois há muito que as fronteiras sociais e familiares se alargaram. Por isso urge recolher as variadas alcunhas, e tentando coligir o máximo de informações sobre as mesmas, para deixarmos aos vindouros um património nosso, próprio, e que nos identifica enquanto fianenses.
Assim, neste repositório, tentaremos reunir o máximo de nomes e alcunhas possível, tanto quanto forem identificadas por todos e todas.
(1) SÁ, Manuel Francisco de (Pe.) — Santa Maria de Fiães da Terra da Feira, subsídios para a sua história. Tip. da Casa Nun'Alvares, Porto, 1940.
Gil Raro (neto do Alberto Raro do Rusga & da Lucília da Cerejeira)
João Couceiro e Castro (neto do Quim do Zena & da Amélia dos Corriola)